CENTRO DE CONFERÊNCIASLIBREVILLE, GABÃO

COM PEDRO PAULO DE MELO SARAIVA E SIAA ARQUITETOS

   
CENTRO DE CONFERÊNCIAS

Segundo lugar no Concurso para Reconstrução do Centro de Conferências para a 23a Cúpula dos Estados da União Africana.

Apesar de ser um interessante testemunho da época em que foi construído, bem como uma memória do 14o Congresso das Nações Africanas ocorrido em 1977, o Centro de Conferências de Libreville não apenas está hoje obsoleto para abrigar a 23a edição do mesmo evento, como, sobretudo, carece de uma identidade arquitetônica capaz de sinalizar o atual momento do país. O Gabão é hoje uma nação emergente, que se apresenta como uma peça-chave na reestruturação econômica e política da África.

Feito com estrutura pré-fabricada de concreto armado e panos de vidro, o edifício do Centro de Conferências é a expressão construtiva de um tempo passado, industrial e desenvolvimentista, em que o país recém deixara de ser uma colônia, e ainda se preparava para o grande crescimento urbano que viria em seguida. Hoje, a crescente economia de serviços do Gabão, associada à globalização, exige uma maior clareza na definição de certos signos edificados. Assim, propomos envolver o edifício existente com uma pele circular translúcida, feita com placas de concreto de ultra-resistência, um material capaz de proteger termicamente a construção do calor dominante na região. Com um diâmetro de 110 metros, o novo edifício é capaz de abrigar perfeitamente todo o programa desejado, além de fornecer uma nova imagem para o Centro: um cilindro perfeito, solto do chão, e quase diáfano, dada a sua perfuração irregular. E se a leitura visual da forma hexagonal do edifício é quase impossível na situação atual, essa forma se revelará no confronto com o novo perímetro circular, nos espaços internos do futuro Centro. Trata-se de uma operação simples, que revela as virtudes ocultas na obra existente, acrescentando-lhe leveza. Assim o Centro de Conferências ganhará realmente a dignidade de um “palácio” – palavra que o nomeia desde a origem na língua francesa.

Esse novo envelope, no entanto, não significa uma maior obstrução em relação ao entorno. Pois não apenas essa pele será vazada, como também a nova cobertura do conjunto apenas sombreará o ambiente, permitindo, no entanto, a entrada de ar e de chuva, de modo a criar uma desejada permeabilidade entre os espaços internos e externos do edifício. Com isso, é proposta uma segunda cobertura de vidro, interna e curva, que protege o hall central do conjunto, sem deixar de manter a leitura visual do resto da construção, bem como dos eventos atmosféricos em seu interior.

Cortando e retirando um gomo do hexágono existente, conseguimos acomodar um excelente auditório para 1.000 lugares, capaz de ser dividido por uma cortina isolante em dois auditórios independentes para 500 lugares sem qualquer prejuízo da solução espacial, isto é, evitando-se seccioná-lo através do palco, o que criaria duas platéias em formato de arena. Com isso, o core do edifício é inteiramente destinado às funções de recepção, acolhimento e distribuição (lobby), coberto pela cúpula de vidro e articulado aos foyers do auditório e áreas de café. E, no piso de baixo, é usado como local de exposições e ballroom, conectando-se à cota de acesso principal. A laje de piso do lobby, e cobertura do ballroom, é feita com um entramado triangular de madeira, abrindo frestas de vidro que permitem a passagem de luz até o piso de baixo.

Todo o sistema de circulação é montado a partir da área de expansão do edifício, construindo 3 torres claramente identificáveis nas cabeças dos hexágonos intercalados, conectados ao prédio antigo através de pontes. Os acesso técnicos, de público e vips estão convenientemente separados, funcionando independentemente.

Externamente, o Centro de Conferências se comunica ao Banquet Hall e ao Spectacle Hall, bem como à área de estacionamentos, através de um agradável percurso entrincheirado coberto por uma lâmina d’água, que dá unidade paisagística ao conjunto. Elevada em relação ao resto da cidade, a Cité de la Démocratie oferece vistas do belo estuário do rio Gabon e do centro de Libreville. Cilíndrico e etéreo, o novo Palácio de Conferências será o símbolo da reunião dos povos africanos em torno dos princípios de liberdade, tolerância e desenvolvimento democrático-sustentável.


Cliente: União Africana
Data do projeto: junho de 2012
Área total Construída: 18.971,00m²
Projeto de Arquitetura:
Metro Arquitetos Associados: Gustavo Cedroni, Martin Corullon;
PPMS Arquitetos Associados: Pedro Paulo de Melo Saraiva, Pedro de Melo Saraiva, Fernando de Magalhães Mendonça.
SIAA Arquitetos Associados: Cesar Shundi Iwamizu.
Colaboradores:
Metro: Marina Ioshii, Filipe Barrocas, Marcelo E. M. Macedo, Luis Tavares, Francisca Lopes, Rafael de Sousa Silva, Bruno Jin Young Kim, Felipe Fuchs.
PPMS: Paula Hori.
SIAA: Alex Lima de Holanda, Andrei Barbosa, Bruno Salvador, Dulci Cipriano, Marcio Tanaka, Rafael Goffinet, Rafael Carvalho.
EKF: Evani Kuperman Franco, Mauricio Soares Alito, Robson Rodrigues de Camargo.
Conceito do zoo: Liliane Milanelo.
Conceito do Golfe: Roberto Ferrari.
Estrutura:
Kurkdjian & Fruchtengarten Engenheiros Associados: Eng. Jorge Zaven Kurkdjian.
Fundação: MG&A - Engº Mauri Gotlieb.
MEP - HVAC: LMSA Engenharia de Edifícios S.A.
Coordenação de projeto: Luís Elvas / João Brás.
Elétrica: Marcelino Lopes.
Comunicações: Paulo Teixeira.
Projeto de segurança: Catarina Neves.
Hidráulica: Márcio Pereira.
Iluminação: Luis Elvas.
Coordenação do sistema construtivo: Valter Campos.
Acústica: Odete Domingos.
Sustentabilidade: João Pedro Santos / Miguel Coutinho.
Relatório descritivo de arquitetura: Guilherme Wisnik.
Fotógrafo: Alessandro Kusuki.
Estimativa de custo: Engº Decio Fleury Silveira.