ANTEL ARENAMONTEVIDEU, UY

COM FREDERICO MIRABAL E JAVIER PIREZ

   
ANTEL ARENA

Segundo lugar no Concurso para a Arena Antel, concebido como um estádio e centro polifuncional.

1

A construção da cidade é elaborada a partir de referências históricas e atuais, bem como de diferentes campos sociais que a construíram. Dessa forma, a geografia simbólica remete-se a um território diferencial, reconhecível e ao mesmo tempo atenta ao seu conjunto. Nesse contexto, um acontecimento urbano marca a cidade, gerando um câmbio para o futuro, uma forma de apropriação que funciona como ancoragem e dispositivo de auto-reconhecimento, tal qual aconteceu com o Estádio Centenário construído para o Mundial de 1930 e em comemoração aos 100 anos da Primeira Constituição do Uruguai (1830). Como o estádio de 1930 o Cilindro Municipal, projetado pelo arquiteto Leonel Viera e construído em 1956, estrutura existente no terreno do projeto, é um acontecimento claramente arraigado no imaginário coletivo da cidade de Montevidéu desde esse caráter evocativo social de mais uma infraestrutura desportiva locada no meio urbano.

O Antel Arena seria ele mesmo um novo acontecimento urbano. Por conseguinte, a proposta para o projeto buscou vincular o presente e o passado através da evocação da forma, expressada na plataforma tecnológica atual. O caráter evocativo apoia-se na seleção de atributos significativos procedentes de diferentes campos sociais que conformam a imagem coletiva da comunidade dentro da cidade. A importância de manter-se a forma como base da nova construção para albergar a Antel Arena radica-se em vários momentos: perpetuar um fio discursivo e formal que enlaça gerações por um lado, e por outro reconhece na forma cilíndrica a resposta irrevogável e acertada no cenário urbano, um regulador silencioso no desconcerto da área.

Os espaços referenciais foram constituídos da seguinte forma: Átrio Urbano, Arena e Parque Antel. Seu conjunto seria uma usina produtora de atividades capazes de potencializar a interação do indivíduo no contexto espacial gerado pela implantação da arena, um condensador social, centro cultural em movimento, enérgico e inquietante, o qual permite vincular uma grande esplanada multiuso com o grande acontecimento de espetáculo da arena. Sinergicamente em um espaço de atividade versátil e flexível para a praça multiuso e ao Parque Antel Arena, ao átrio incorpora-se a possibilidade funcional e técnica capazes de multiplicar indistintamente a simultaneidade dos espaços públicos e exclusivos da arena.

2

A proposta para a Antel Arena rompe com uma simetria biaxial e de conjunção ortogonal comum no desenho de edifícios desportivos atualmente, através da composição de dois círculos cujos centros são excêntricos. Ao círculo mais externo estão marcados os usos para eventos privados e institucionais e ao interno o de eventos desportivos, porém não excluindo outras possibilidades de uso comuns aos espaços ginasiais. Os usos para o conjunto são baseados na implantação da infraestrutura para eventos privados e institucionais à cidade demarcados nas áreas que cercam o edifício e a implementação estrutural e construtiva, parte fundamental do partido arquitetônico e ao mesmo tempo constituindo como desafio a partir da escala de execução da infraestrutura proposta.

Este processo consiste em aproximar, refinar e correlacionar soluções para a conformação do projeto. Para isso, os critérios que direcionaram o projeto do sistema estrutural tiveram sempre atenção à segurança e entre outros pontos à funcionalidade e coerência com o partido arquitetônico. A estrutura baseia-se nas propriedades do concreto armado, tal qual são as lajes nervuradas das arquibancadas e acessos e também os pilares circulares de 60 cm de diâmetro. Naturalmente para um uso de arena foi pensado o menor número possível de apoios para a estrutura da cobertura e para a pele da fachada a eliminação de qualquer apoio vertical, propondo assim suspendida e apoiada pelo seu topo no sistema de cobertura da arena. Para essa demanda própria a partir da pele da fachada para a cobertura da arena foram consideradas vigas cantiléver de 40 m, respondendo ao modelo tipológico proposto de pele apoiada em estrutura atirantada ao sistema estrutural da cobertura.


Cliente: Adminitración Nacional de Telecomunicaciones - ANTEL
Data do projeto: outubro de 2013
Área total Construída: 40.917,00m²
Projeto de Arquitetura:
Metro Arquitetos Associados: Gustavo Cedroni, Martin Corullon, Sol Camacho;
PireZ Studio: Javier Pirez Marie, Federico Mirabal Pietra;
Colaboradores:
Metro: Miki Itabashi, Helena Cavalheiro, Marcelo Macedo, Flavio Bragaia, Isadora Marchi, Luis Tavares, Rafael de Sousa.
PireZ Studio: Richard Weiter, Germán Arismendi, Patricia Miranda;
EKF: Evani Kuperman Franco, Mauricio Soares Alito, Robson Rodrigues de Camargo.
Estrutura:
AFA Consult: Engs. Rui Furtado e Marco Carvalho.
Pollio Ingenieros: Magnone;
Infraesturura de Arena:
AECOM: Jon D. Neimuth, AIA, LEED AP BD+C, Scott D. Sayers, AIA, NCARB, LEED AP, Petar Vrcibradic, Diogo Taddei.
Iluminação: Carlos Galante, Carlos Fabra;
Paisagismo: Pablo Ross, Irene Ross;
Ar-condicionado: Luis Lagomarsino;.
Acústica: Michel Hakas;
Trânsito e trasnporte: Lucas Facello;
Incêndio e circulações: Federico Cvetrexnik, Valentina Stern;
Patrimônio: Ines Lizaso mariana Cáceres.